Coach, profissão regulamentada ou crime?

O profissional que trabalha como Coach esteve alerta nas últimas semanas a respeito de algumas ideias legislativas de iniciativa popular que visam, ou a regulamentação ou a criminalização da profissão de coach. Estima-se que no Brasil existem 70.000 coachs, que são profissionais com formações diversas e que se propõem a ajudar pessoas e empresas a alcançarem objetivos pessoais ou profissionais specíficos. O problema surge quando pessoas que se apresentam como profissionais de coach, se aproveitam da situação de seus clientes para agir desonestamente ou atuar sem o conhecimento e preparo necessários.

Observando a dinâmica dessas propostas, nota-se que a ideia de criminalização de profissionais mal-intencionados recebeu mais de 20.000 apoios, transformando-se em sugestão (SUG 26/2019). As outras duas ideias tramitam no portal da cidadania no site do senado, até o último mês, com menos de 5.000 apoios cada uma, com prazo para conseguir o número mínimo de apoios (20.000), uma até Setembro e a outra até Outubro deste ano.

Sem adentrar muito nos detalhes técnicos da elaboração de leis, é curioso observar que a ideia que visa criminalizar a atuação de quem se passa por coach para causar dano aos outros recebeu, em poucos dias, o apoio necessário, enquanto as outras duas ideias, que também visam distinguir o bom profissional do profissional que age de má-fé, ainda não alcançaram o número necessário de apoiadores.

Aqui fica um insight para você, profissional Coach ou profissional de qualquer outra área. Os seus clientes, colaboradores e até mesmo pessoas com as quais você se relaciona podem estar muito mais atentos às suas falhas, e dispostos a garantir que outros não sejam prejudicados pelos seus erros, do que estariam atentos à excelência daquilo que você faz.

Quantas vezes vamos espontaneamente a um site de vendas para classificar positivamente um produto que chegou sem problema algum, conforme o combinado e dentro das expectativas? Normalmente precisamos de um lembrete da loja para voltar e deixar uma avaliação.

Por outro lado, quando temos algum problema, buscamos rapidamente entrar em contato com o estabelecimento para relatar o que não deu certo, e se não for encontrada uma solução, buscamos algum espaço de “desabafo” onde essa frustração será ouvida por outros consumidores, desgastando assim, a imagem da empresa ou a marca.

O trabalho bem feito, a atuação de boa-fé é, e deve sempre ser, a regra. Dificilmente alguém fará uma grande festa por você cumprir cada item daquilo que você se propôs a fazer dentro do seu contrato ou da sua oferta. Essa é sua obrigação diante da expectativa que você gerou no cliente ao oferecer um serviço ou produto.

Se houver problemas, no entanto, isso terá uma repercussão muito maior, pela expectativa frustrada e pela promessa não cumprida.

Ao oferecer serviços e produtos através de meios fraudulentos, enganosos, ou abusivos, fornecedores abrem uma brecha para que consumidores busquem a garantia de seus direitos, administrativa ou judicialmente. Aqui afirmo que consumidores que se sintam lesados devem, de fato, buscar a reparação do dano sofrido, mas como eu explico no material “CDC para empreendedores”, existem diversas maneiras de evitar os problemas, ou pelo menos evitar os atritos decorrentes desses problemas.

Portanto, você Coach, você fornecedor de produtos ou serviços, destaque-se pela excelência e bom relacionamento com os seus clientes. Um bom diálogo conquista clientes no longo prazo, mas promessas utópicas, mirabolantes ou não cumpridas, criam uma armadilha, tanto para o cliente quanto para você e provavelmente terminará com a judicialização da demanda.

Por enquanto, não se sabe como se dará a regularização ou criminalização da profissão de coach no Brasil, mas além da boa-fé e do bom senso, existem instrumentos como o Código de Defesa do Consumidor que norteiam e impõem limites nas relações de consumo, justamente para evitar as infrações administrativas e crimes nas práticas comerciais. Estudar o CDC é uma forma de você aprender como oferecer seu trabalho de forma ética, dialogar com seus clientes, pacientes, coachees e evitar conflitos que podem ruir o seu empreendimento ou a sua imagem profissional.

Lembre-se que dialogar é sempre melhor do que judicializar.

Uma boa semana!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: