Almoço de manhã, faz sentido para você?

O que eu aprendi durante minha viagem à Guiana.

Há mais ou menos um ano eu fiz uma viagem à Guiana, país vizinho, e no hotel em que eu estava hospedada tinha um café da manhã bem variado, com ovos cozidos, feijão, bacalhau, grão de bico, entre outras opções (como esse aqui da foto). Mergulhei na experiência gastronômica de cabeça, apreciando a culinária local.

Essa experiência me trouxe um ensinamento interessante a respeito de mim mesma. Aprendi como meu corpo funciona em relação à comida. Ter uma refeição mais encorpada no horário café da manhã reduz o meu apetite ao longo de todo o dia, além de não causar aquela sonolência na parte da tarde, já que na hora do almoço faço uma refeição muito mais leve.

Fiz essa descoberta por acaso, já que não sou profissional da saúde. Provavelmente, se eu não tivesse experimentado uma nova forma de me alimentar, estaria tentando regular o apetite até hoje por uma das maneiras mais tradicionais, como todo mundo faz. Nada contra isso, mas o que funciona para os outros não necessariamente é a melhor solução para mim. Além do mais, consegui mais resultados invertendo a ordem das minhas refeições, mesmo que isso não faça sentido para muita gente.

Como isso se aplica à advocacia e às demais profissões?

Muitas vezes, tanto o advogado quanto o potencial cliente assumem uma postura passiva, como “todo mundo faz”. O cliente espera a bomba estourar para procurar o advogado e o advogado espera ser procurado pelo cliente para então orientá-lo. Há chances de se encontrar uma boa solução, assim como há chance de o cliente entrar em uma disputa judicial cujo resultado não lhe seja satisfatório.

Como inverter essa ordem poderia ser benéfico, para ambas as partes?

O advogado que orienta o cliente, antes de ser procurado por ele, ajuda a evitar um problema maior e, para o seu cliente, isso não tem preço. Se futuramente se fizer necessário, certamente o advogado que o “livrou” de uma enrascada será o primeiro a ser lembrado, pois já provou o valor do seu conhecimento.

O cliente que contrata um advogado antes de ver a bomba estourar, está economizando tempo, dinheiro e bem-estar (cuidando da saúde mental e emocional), já que qualquer demanda judicial, por mais simples que pareça, consumirá muito desses recursos antes mesmo de chegar ao fim. Por isso sempre repito que dialogar é melhor do que judicializar.

É muito bom saber que existem vários colegas advogados criando muito conteúdo de valor e distribuindo a um grande número de pessoas, ajudando mesmo aqueles que não sejam seus clientes, a evitar problemas administrativos, judiciais ou nas relações de trabalho, por exemplo. Esse é nosso papel na advocacia, e isso é o que é esperado de advogados que trabalham dentro dos padrões éticos da classe. Prevenir conflitos.

Essa analogia também se aplica a qualquer profissão em que se ofereça soluções para sanar alguma dor. O que você, como empreendedor de qualquer área, pode oferecer para os seus clientes, ou para o seu círculo de conivência, antes mesmo que a dor apareça? Eles vão se lembrar de você, quando a dor for inevitável? Você tem trabalhado com prevenção ou ainda depende de provocação?

A propósito, o que você está fazendo para evitar conflitos da sua empresa com os seus clientes? Percebo que muitos empreendedores “copiam” o que outros mais experientes estão fazendo, e como a instrução a respeito dos direitos do empreendedor não é algo muito corriqueiro, ou mesmo instagramável. Daí, muitos empreendedores que estão começando deixam isso de lado, acreditando que é suficiente ter um exemplar do CDC no seu estabelecimento.

O que acontece muitas vezes é que aquele concorrente, que apresenta estar mais bem estabelecido que os demais, tem todo um trabalho feito nos bastidores, e se ele está obtendo sucesso de forma ética, certamente ele tem uma ótima assessoria jurídica. Ou seja, a empresa dele tem um “metabolismo” diferente daquele da sua empresa, hábitos diferentes, uma história diferente e, portanto, o passo a passo dele pode não fazer sentido para a sua empresa neste momento.

Talvez faça sentido para uma grande empresa procurar um advogado apenas quando problemas inevitáveis aparecem, pois já descobriram como prevenir tais acontecimentos. Isso acontece, ou porque ele já aprendeu muito, quebrando a cabeça por tentativa e erro, ou porque ele já está bem estruturado juridicamente.

Com o passar do tempo, além de todos os desafios que o empreendedorismo demanda, começam a aparecer alguns desafios com o atendimento e pós-venda dos consumidores, sendo que muitos deles poderiam ter sido evitados com uma boa observação das normas de relação de consumo e dedicando tempo para estudar o CDC do ponto de vista do fornecedor, como eu ensino no e-book CDC para empreendedores.

Todo empreendedor, mais cedo ou mais tarde, perceberá que o jurídico da sua empresa é uma parte importante, que não pode ser deixada de lado, nem deve ser deixada para se tratar na última hora, depois que a o problema já estourou. Esse pequeno grande “detalhe” deve estar entre as prioridades de qualquer empresa.

Uma ótima semana!

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